Pacientes poderão ser submetidos a transplantes cardíacos em Sergipe (Foto: Arquivo ASN/Divulgação)Pacientes poderão ser submetidos a transplantes cardíacos em Sergipe (Foto: Arquivo ASN/Divulgação)

O Governo de Sergipe informou nesta sexta-feira (10) que o estado está credenciado e em breve, sem data ainda definida, voltará a fazer transplantes cardíacos através do Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital do Coração e a equipe transplantadora já estão habilitados pelo Ministério da Saúde (MS).

Até então, só era feito no estado o transplante de córnea. “Para o paciente, esta é a possibilidade de acolhimento próximo à sua residência, com suporte emocional de seus familiares, o que certamente aumenta as chances de sucesso e diminui o tempo de recuperação. Já para o SUS, é mais um grande avanço que agrega a capacidade tecnológica e a resolubilidade”, avaliou a secretária de Estado da Saúde, Conceição Mendonça. Ela destacou a economia que o estado fará com despesas de Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

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A Central Estadual de Transplantes é uma unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES) que funciona em conjunto com a Organização de Procura de Órgãos (OPO). O serviço é ligado à Central Nacional de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos para agilizar os procedimentos e evitar a perda de órgãos.

A Central de Transplantes de Sergipe realiza vários projetos educativos como o ‘Educar para Doar’, realizando palestras em escolas para adolescentes que são formadores de opinião, e o ‘É Dando que se recebe’ para empresas, associações de bairros e igrejas. Os telefones de contato da Central Estadual de Transplantes são (79) 3259-2599/3941.

Estatísticas
De janeiro de 2016 até agora, foram realizados 44 transplantes de córnea em Sergipe. No período, foram quatro órgãos captados e enviados para outros estados, sendo dois rins, um fígado e um coração. Já no ano passado, foram 137 transplantes de córnea, com 22 órgãos captados e enviados (12 rins, quatro fígados, dois corações e quatro valvas) para outros estados.

Já no ano de 2014, foram realizados em Sergipe 132 transplantes de córnea e captados e enviados 25 órgãos (14 rins, sete fígados, três corações e um pâncreas). Segundo Benito Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes, é preciso conscientizar as famílias de potenciais doadores e também profissionais da saúde para que notifiquem a possibilidade da doação.

"O profissional de saúde é quem inicia todo processo que torna a doação possível através do diagnóstico de morte encefálica. Cabe à família autorizar a doação, que pode salvar a vida de outras pessoas", explicou Benito.

De acordo com o coordenador da Central de Transplantes, a morte encefálica é a parada total e irreversível de todas as funções do cérebro. Ele explica que nesse estágio não há sangue circulante nem atividade e, por conta disso, a pessoa é considerada morta. Somente as pessoas que forem notificadas com morte encefálica e com a autorização da família poderão ter os órgãos doados.

“Para doar órgãos é preciso ter o diagnóstico de morte encefálica, o que não aconteceu, por exemplo, com a jovem vítima do acidente em um shopping, que teve morte por parada cardíaca. Nesses casos específicos, é possível doar as córneas até seis horas depois da parada. A doação das córneas foi realizada e o transplante provavelmente será na sexta-feira, 10, uma vez que a córnea pode ficar no líquido de preservação por até 14 dias”, afirma Benito.

Ainda segundo o coordenador, quando há um órgão disponível, é feito um contato com a Central Nacional de Transplantes, que envia uma equipe até o estado para realizar a captação. “Porém ainda há um medo muito grande das pessoas sobre a doação, por isso é preciso incentivar que as famílias autorizem essa doação”, complementou.


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