(Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)
(Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)

O ministro emérito do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, ex-presidente da Corte, afirmou nesta quinta-feira (2) , ao participar de evento em Aracaju, que a atual crise política mostra um Brasil “clandestino”, “fraudulento” e “nem um pouco transparente”. A declaração foi dada por Barbosa ao comentar o atual momento político do país.

“Essa crise tem nos mostrado que o nosso capitalismo é manco, que o patrimonialismo, que a promiscuidade entre o público e o privado continuam dando o tom. Essa crise política tem mostrado que por baixo do Brasil oficial existe um Brasil clandestino, nem um pouco transparente e fraudulento”, declarou.

Barbosa participou de evento direcionado a legisladores e servidores do poder Judiciário de todo o país na capital de Sergipe. Durante a sua participação, ele comentou o momento econômico e político do Brasil.

“Há um esforço muito grande para mostrar que tudo que se passa no Brasil é da normalidade democrática. Mas como explicar ao mundo o que vem se passando nos últimos meses? Essa mudança tão brusca de comando. Ninguém poderia prever há menos de dois anos que o nosso sistema político iria trincar, mas a realidade está aí. O Brasil parece que vai integrar o bloco das nações marcadas pela instabilidade política e isso é muito ruim para todos nós, brasileiros”, disse o ministro.

Ainda falando sobre a crise que se abateu no país ele comentou a disputa de poder no cenário nacional. “Existe um primeiro grupo que nos 30 anos de democracia nunca conseguiu ganhar uma eleição presidencial. Por outro lado, está no poder um grupo que no prazo das próximas eleições completaria 20 anos no poder. Como explicar isso ao mundo?”, questiona.

“Desenvolvimento e segurança são assuntos que interessam ao atual momento do país. O empreendedor e os seus investidores não têm como definir com certeza absoluta qual será o desfecho desse empreendimento, como se dará a sua evolução e o que pode acontecer. Clientes podem ou não se tornarem inadimplentes. O estado pode ou não retomar a contratação do emprego. Sem empreendedorismo não existe o desenvolvimento. O Brasil passa por um momento bastante difícil e nós temos que lutar contra o retrocesso”, alerta.

O Congresso Nacional também foi citado por Joaquim Barbosa. “Haverá nada mais nada menos que a transferência do centro de gravidade da política nacional da presidência para os cafundós do Congresso Nacional, e eu tenho sérias dúvidas se é isso que os brasileiros querem”.

Fonte: G1/SE

Via – Hs 24 Horas- De Olho Na Notícia